13.5.08
12.5.08
10.4.08
31.3.08
Não há como aproveitar um dia de má disposição (eu acordei bem disposta mas estragaram-me o dia logo às primeiras horas da manhã), para varrer algumas relações sem sentido nenhum que se arrastam pela nossa vida. E nem foi preciso falar. Há alturas em que o silêncio diz tudo.
28.2.08
O Cão (chamavamos-lhe assim) foi meu durante 14 anos. Tinha 17. Era um Shi Tzu, comprado em Hong Kong pelo meu Pai. Trouxe-o no regresso de Macau. Por questões logisticas ficou combinado que ficaria uns dias em minha casa que se prolongaram por 14 anos. Terminou o nosso tempo na passada segunda-feira. A dedicação era mútua. Seguia-me os calcanhares por todo o lado. Gostava de festas e de ser escovado. Não gostava de banho, mas gostava que o penteassem e de esfregar o nariz ou nas minhas calças ou nos meus sapatos. Gostava de bolachas e de pão de ló. Eu era a sua pessoa dentro de casa. Adorava ir à rua e ladrar na varanda. Dormia no chão, ao meu lado e, nos ultimos tempos, ressonava. Como uma pessoa. Nos últimos tempos, também já via e ouvia mal, mas reconhecia-me pelo cheiro. Não se enganava. E não se afastava de mim. Era esperto, entendia o que queriamos dele, percebia se estavamos tristes ou alegres, fazia asneiras e tinha mau génio como qualquer um de nós. Chorei por ele. Convulsivamente. Chorei por saber que o ia perder, por ter tido de tomar a decisão de lhe abreviar os dias e por ter de pedir isso mesmo ao veterinário. Ainda choro. E sinto-lhe a falta. Era o meu cão.


